EPISÓDIO # 70 - ANALISANDO A MÚSICA A VIAGEM
- Carlos A. Biella

- 16 de jan.
- 8 min de leitura
Atualizado: 23 de jan.

Analisando a música A Viagem.
Esta é uma música cheia de significados e se presta muito bem a uma análise sob diferentes perspectivas. Convido você para juntos, fazermos esta viagem. Sejam todos muito bem-vindos e aproveitem.
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Saudações a todos. Este é o podcast Mundo Espiritual. Eu sou Carlos Biella e a produção, edição e a apresentação são minhas e a arte das capas dos episódios é feita pelo Hugo Biella.
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Assim como canta Milton Nascimento, foi nos bailes da vida que essa gente boa do Roupa Nova pôs o pé na profissão.
Uma banda chamada Os Famks, foi criada em 1967, no Rio de Janeiro, por membros de uma mesma família, Cataldo. Aos poucos, os membros foram sendo substituídos. Em 1971, entraram Nando e Cleberson Horsth, até que em 1976, vieram, da banda Los Panchos Villa, Paulinho, Ricardo Feghali, Kiko e Serginho Herval. Já nos anos 1980, a banda mudou seu nome para Roupa Nova, nome da então inédita música de Milton Nascimento e Fernando Brant, que seria gravada pelo sexteto naquele ano.
Nascia, assim, uma das maiores bandas brasileira que seguiria com a mesma composição por 40 anos até dezembro de 2020, quando a COVID-19 levou Paulinho embora. A mesma COVID-19 já havia levado, em maio daquele mesmo ano, Aldir Blanc para fazer a mesma viagem.
E Aldir Blanc juntamente com Cleberson Horsth, são os autores desta belíssima música, composta para ser tema da novela A Viagem, exibida pela extinta Rede Tupi de Televisão, entre outubro de 1975 a março de 1976. A novela foi escrita por Ivani Ribeiro, com assessoria de Herculano Pires, e teve a direção de Edison Braga. Entre os principais atores estavam nomes como Eva Wilma, Altair Lima, Ewerton de Castro, Tony Ramos, Elaine Cristina, Rolando Boldrin, Irene Ravache, Adriano Reys, Joana Fomm, Carminha Brandão e Carmem Silva.
Em 1994, a Rede Globo fez um remake da novela e a exibiu entre abril a outubro daquele ano. Nesta adaptação, a novela escrita por Ivani Ribeiro, teve colaboração de Solange Castro Neves e direção de Ignácio Coqueiro, Maurício Farias e Wolf Maya. Entre os principais atores estavam Christiane Torloni, Antônio Fagundes, Guilherme Fontes, Maurício Mattar, Andréa Beltrão, Cláudio Cavalcanti, Lucinha Lins e Miguel Falabella.
A temática principal da telenovela é a vida após a morte, inspirada na Doutrina Espírita, apesar de conter alguns equívocos. O personagem principal é Alexandre, um jovem que se mata na cadeia após condenação por roubo seguido de morte e passa a atormentar a vida de todos que, na sua concepção, foram responsáveis por seu trágico destino.
Ivani Ribeiro, a autora, pretendia adaptar um livro de Francisco Cândido Xavier, mas Chico sugeriu que ela abordasse a temática da vida após a morte, em uma trama inédita. A autora então, escreveu a novela baseando-se nos livros “Nosso Lar” e “E a Vida Continua”, de André Luiz, com psicografia de Chico Xavier, além de se basear, também, nas obras de Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos” e “O Livro dos Médiuns”.
Assim, ao longo dos capítulos da novela, o espírito de Alexandre planeja vingança contra os que teriam lhe prejudicado em vida. Seus alvos são o irmão Raul, o cunhado Téo e o advogado Otávio Jordão. A sogra de seu irmão, Dona Guiomar, sob influência espiritual de Alexandre, inferniza o casamento de Diná, irmã de Alexandre e Téo, até separa-los. Téo, também sob influência de Alexandre, passa a sofrer de surtos que o deixam violento. Na trama, o médico Dr. Alberto, espírita, busca, através de reuniões mediúnicas, conscientizar o espírito de Alexandre do mal que causa às pessoas.
No entanto, Diná, se apaixona pelo advogado Otávio Jordão, que não quis defender Alexandre em seu julgamento. Em um acidente, provocado pelo espírito de Alexandre, Otávio morre, mas mantem um amor transcendental com Diná que acaba por adoecer e também morre. Juntos no plano espiritual, Diná e Otávio tentam neutralizar a má influência de Alexandre sobre seus entes queridos.
A canção, é muito bonita e nos remete a um amor que transcende os laços da matéria, atravessando o tempo e reaparecendo em uma nova vida, trazendo consigo saudades e lembranças da pessoa amada.
Podemos analisar e interpretar a letra de várias maneiras, mas, por se tratar de uma novela que aborda aspectos relacionados ao Espiritismo, provavelmente sua interpretação se torne mais plausível, se buscarmos a entender pela ótica espírita.
Aqui temos Luiz Antônio Peres Filho, o Maestro Luizão e Orquestra de Câmara do Oeste Paulista, de Presidente Prudente (https://youtu.be/jNvf3bQkw0w), numa versão orquestrada da música.
Pois bem, A viagem, além de ser tema da novela homônima, foi lançada no álbum Vida Vida, de 1994. Geralmente quem a canta é o baterista Serginho e tem um arranjo maravilhoso.
Trata-se de uma balada pop rock, com a excelência técnica do Roupa Nova.
A melodia é cativante e expansiva, com um refrão marcante e fácil de cantar junto. A harmonia é rica, usando acordes que adicionam uma sensação de nostalgia, esperança e leve melancolia. A progressão harmônica contribui para a sensação de "jornada" ou "deslocamento".
O arranjo é sofisticado e traz os teclados com um papel fundamental na criação da atmosfera, que já sugere a ideia de algo elevado ou espiritual.
A interpretação do Paulinho é emocional e cristalina e a música evoca primariamente um sentimento de saudade, esperança e a busca por um reencontro. É um "abraço" sonoro, reconfortante e inspirador.
Então, vamos lá... (https://youtu.be/y2VS1rgeHww)
Há tanto tempo que eu deixei você
Fui chorando de saudade
Mesmo longe, não me conformei
Pode crer, eu viajei contra a vontade
Alguns entendem que alguém viajou e deixou alguém que amava. Aqui vamos entender que o personagem morreu, e pelo jeito já faz muito tempo, e se foi carregando uma forte saudade do seu grande amor que ficou por aqui.
E ele não se conforma de ter ido embora, ou não se conforma por ter morrido, mostrando que não estava preparado para ir embora desta vida.
De qualquer maneira, não pense que a saudade acontece somente para aqueles que ficam por aqui. Quando amamos, a separação dói, também, para aqueles que se foram. Como disse, Chico Xavier: “Saudade é uma dor que fere nos dois mundos…”
O teu amor chamou e eu regressei
Todo amor é infinito
Noite e dia no meu coração
Trouxe a luz no nosso instante mais bonito
O ser amado chamou e ele regressa, mostrando que o amor é infinito, atravessando os planos e continuando mesmo além da vida. Mostra que o verdadeiro amor transcende as diversas reencarnações e se mantém, infinitamente.
Constantemente aquele amor era lembrado, trazendo a luz da felicidade vivida enquanto juntos. Essa luz proporcionada pela lembrança destes momentos, manteve a chama do amor acessa.
Na escuridão o teu olhar me iluminava
E minha estrela-guia era o teu riso
Coisas do passado são alegres quando lembram
Novamente as pessoas que se amam
Percebemos o amor como sendo um farol que guia os que se amam, mesmo separados nos dois planos da vida. Aqui, vemos que o riso da pessoa amada serve como uma estrela a guiar o caminho daquele que se foi.
As reencarnações de espíritos que se amam, provocam esse sentimento de alegria e bem-estar. É que alguns chamam de “amor à primeira vista”, que de primeira não tem nada, pois nestes casos, o amor já em de muito tempo atrás.
Em cada solidão vencida eu desejava
O reencontro com teu corpo, abrigo
Ah, minha adorada, viajei tantos espaços
Pra você caber assim no meu abraço
Te amo
Aqui temos a colocação de ter-se vivido na solidão, no plano espiritual ou em outros orbes, uma vez que a letra diz “viajei tantos espaços”.
O desejo do reencontro move o ser, buscando novamente estarem juntos.
Mas, para aqueles que não enxergam a visão espiritualista nesta música, mesmo ela sendo feita para uma telenovela que fala especificamente de obsessão, vida no plano espiritual e reencarnação, vai aqui uma outra análise.
A Viagem é uma homenagem ao amor eterno e à saudade que ele pode provocar. Fala de alguém que, mesmo distante, sofre com a lembrança de um amor passado. Quando se refere a escuridão, logo no início da música, pode estar se referindo a um período de tristeza e solidão, consolado pela lembrança do olhar e do riso da pessoa amada.
Alguns entendem ser esta viagem uma metáfora para uma jornada emocional do eu lírico, viajando em suas memórias e sentimentos, travando uma luta contra a vontade de estar longe e cedendo ante o chamado do amor para regressar.
Percebe-se que a separação deve ter sido dolorosa e que existe uma dificuldade em seguir em frente, além de trazer a ideia de que o amor, quando verdadeiro, é infinito e supera a solidão. Existe tanto amor unindo duas pessoas que o desejo de um reencontro se mostra tão forte que o eu lírico viaja por muitos espaços somente para acabar no abraço da pessoa amada.
Bem, para aqueles que seguem a linha espiritualista para interpretar essa música, lembro que existem, na literatura espírita, muitas obras que falam destes reencontros entre espíritos que se amam. Por exemplo, no livro Cinquenta Anos Depois, de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier e lançado em 1940, temos a história de Célia e seu amado, Ciro, que morre e depois renasce, numa bela história de amor e reencontro.
Ah, lembrando, também, do livro Nosso Lar, de André Luiz, lançado em 1944, sob a psicografia de Chico Xavier, que fala do amor que transcende as barreiras do plano material. Como diz André Luiz: “Sabemos que a morte do corpo apenas transforma sem destruir. Os laços da alma prosseguem, através do Infinito”.
Viram só, os laços da alma prosseguem, através do infinito. Como diz a música, “o teu amor chamou e eu regressei. Todo amor é infinito”.
Pois é, todo amor é infinito, mas este episódio vai chegando ao seu final.
Este é o podcast Mundo Espiritual e a produção, edição e a apresentação são minhas, Carlos Biella e o Hugo Biella é que faz a arte das capas dos episódios.
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A canção A Viagem trata de um amor transcendental e infinito, frequentemente associado a temas de vida após a morte e reencontro espiritual. É uma canção que representa a travessia da alma, ou seja, a jornada física, emocional e espiritual, onde o amor pela pessoa amada é a estrela-guia e a esperança de um reencontro, superando a saudade, a ausência e a distância.
Essa foi a nossa análise desta linda música, A Viagem.
Espero que tenham gostado.
Fiquem todos em paz e até nosso próximo episódio.






Excelente